Brasil e China lançam 6º satélite em parceria para monitorar Amazônia

O satélite CBERS-4A, que terá a missão de monitorar o território brasileiro, com foco na região da Amazônia, foi lançado na madrugada desta sexta-feira (20) em Taiyuan, na China, cidade localizada na província de Shanxi, a cerca de 700 km de distância da capital, Pequim.


Desenvolvido por meio de parceria entre o Brasil e a China, o novo satélite substituirá o CBERS-4, colocado em órbita há cinco anos, contribuindo para o monitoramento da vegetação e da agricultura, além de possibilitar estudos de hidrologia e do meio ambiente. Ele tem um sistema de alerta sobre queimadas e desmatamento na Amazônia.

Equipado com a Câmera Multiespectral Regular (MUX), a Câmera de Campo Largo (WFI) e a Câmera Multiespectral e Pancromática de Ampla Varredura (WPM), o dispositivo conta com especificações similares às dos principais programas de sensoriamento remoto orbital do mundo, como Landsat (Estados Unidos), Copernicus (União Europeia) e Resourcesat (Índia).



Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o mais novo satélite sino-brasileiro foi programado para dar 14 voltas por dia em torno da Terra, devendo operar por no mínimo cinco anos, a mesma vida útil da versão anterior do equipamento. Este é o sexto satélite lançado na parceria do Brasil com a China.

Os recursos utilizados para o desenvolvimento e fabricação do CBERS 04A, incluindo investimentos na área de controle do satélite em órbita e aplicações, foram de R$ 160 milhões para o Brasil. Para o lançamento, o custo foi de US$ 15 milhões para o país. O CBERS 04A garante a continuidade no fornecimento de imagens que beneficiam o sistema de gestão do território do país (monitoramentos ambientais e de recursos terrestres), as pesquisas em universidades e os desenvolvimentos em empresas, que utilizam as tecnologias de geoinformação e de sensoriamento remoto.


Assista o vídeo do lançamento do CBERS 04A:  



Quando o CBERS 04A estiver plenamente operacional, os usuários do sistema CBERS terão o dobro de imagens disponíveis, já que o satélite CBERS-4, lançado em dezembro de 2014, continua em órbita. Desde a implementação da política de livre acesso a dados e imagens do INPE, em 2004, já foram distribuídas gratuitamente quase 2,4 milhões de imagens CBERS a cerca de 20 mil instituições do país. Em outro setor da economia, o Programa CBERS vem estimulando a participação e capacitação da indústria nacional para o desenvolvimento e fabricação de sistemas e subsistemas de satélites. Os benefícios se estendem à criação de novos empregos e à geração de inovações tecnológicas e de processos, presentes em novos produtos e serviços.


O satélite foi lançado da base de Taiyuan, na China. (Fonte: INPE/Divulgação)

Atraso no lançamento

O prazo de lançamento original do satélite responsável por monitorar a Amazônia era dezembro de 2018, ou seja, ele chegou ao espaço com um ano de atraso. A data foi modificada por causa da redução dos repasses ao INPE.

A construção do CBERS-4A teve início em 2015, com a participação de um total de 200 cientistas, tanto do INPE quanto da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST). O projeto teve um custo estimado de R$ 190 milhões, sendo metade deste valor bancado pelo governo brasileiro.

Fontes: INPE