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Shochu, a bebida alcoólica mais consumida no Japão, ganha adeptos no Brasil

Se engana quem pensa que no Japão o saquê que domina os bares, por lá o destilado Shochu tem a preferência e o governo japonês quer apresentar e reforçar a presença da bebida em outros países



Quando pensamos em bebida alcoólica japonesa, provavelmente a primeira que vem à cabeça é o saquê. Mas é o shochu a bebida alcoólica icônica no Japão, encontrada invariavelmente em bares, restaurantes, mercados e lojas de conveniência por todo o arquipélago.


A história do Shochu

O shochu (pronuncia-se xô-tchu) é uma bebida destilada à base de água, koji – o mesmo fungo utilizado na produção de saquê, missô e shoyu – e um ingrediente principal que pode ser, mais comumente, arroz, cevada, trigo sarraceno, açúcar mascavo e batata doce. Sua graduação alcoólica pode variar entre 15% e 45%, mas o mais comum é que fique em torno de 25%.


A bebida nasceu em Kyushu, uma das principais ilhas do Japão, e hoje é produzida em todo o país. Sua principal característica é que, por ser destilada uma única vez, ela preserva os sabores e aromas mais delicados, extraídos do seu ingrediente principal. Já o awamori, que acredita-se ser o antecessor do shochu, é feito exclusivamente de arroz, água e koji negro e é produzido apenas na província de Okinawa. Ele pode ser envelhecido em potes de cerâmica e seu teor alcoólico fica entre 30% e 43%.

No Japão, o shochu é mais vendido do que o nihonshu – a bebida fermentada à base de arroz que é conhecida como saquê fora do Japão. Em 2020, a demanda por shochu representou 15,4% do total de álcool consumido em todo o país, contra 4% do saquê. No entanto, quando observamos os números de exportação, o cenário se inverte.

Em 2021, a exportação de saquê bateu o recorde de US$295 milhões contra apenas US$13 milhões do seu conterrâneo shochu. Isto se deve em parte ao forte investimento em ações de divulgação e subsídios à exportação de saquê, promovidos pela JSS (Japan Sake and Shochu Producers Association) e pelo governo japonês.

Aqui no Brasil, por exemplo, o Festival do Sake foi realizado por dois anos consecutivos, com o objetivo de ensinar aos brasileiros sobre o saquê e expandir assim o seu mercado consumidor.


Garrafas de Shochu / Foto de Xtra, Inc. na Unsplash

A vez do Shochu

Organizada pela Mega Sake e por Roberto Maxwell, brasileiro radicado há 17 anos no Japão e especialista nas bebidas japonesas tradicionais, a segunda edição do The Shochu Academy aconteceu em São Paulo.

“O Japão virou referência de qualidade máxima na produção de bebidas alcóolicas e nada mais natural que o mundo passe a conhecer melhor o shochu e o awamori, bebidas tradicionais e muito consumidas por lá. O shochu e o awamori apresentam tamanha diversidade e potencial, e têm tudo para serem os próximos sucessos no mercado internacional de bebidas”, diz Fabio Ota, fundador do Mega Sake, maior portal de conteúdo em português sobre o saquê.

A primeira edição da The Shochu Academy Brazil (TSAB) foi realizada em março do ano passado. A iniciativa, 100% financiada pela JSS, foi dedicada aos profissionais da coquetelaria e da restauração. Ela durou dois dias e certificou 22 alunos. Este ano, a TSAB é a protagonista dos investimentos da JSS e ganha uma programação com mais corpo e visibilidade. O programa, mais extenso e multicidade, será realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de ter uma série de documentários gravada com alguns dos principais nomes da coquetelaria brasileira.



Em São Paulo, a TSAB terá dois dias de aula, sendo o primeiro dedicado à teoria e o segundo inteiramente voltado à prática – com degustação e criação de um drinque por dupla.

As vagas disponíveis foram preenchidas por candidatos que se inscreverem e foram selecionados por um time de especialistas que, além de Fabio Ota e Roberto Maxwell, contou também com a sake sommelière Yasmin Yonashiro, que faz parte do corpo docente, e com a consultora Vanessa Nakamura.

No Rio de Janeiro, o curso acontece de forma mais rápida, com duração de um dia e será apenas para convidados. Ao fim do programa, os alunos receberão um certificado de conclusão do curso e estarão aptos a disseminar a bebida pelos bares e restaurantes do Brasil.



“Do ano passado para cá, já percebi uma mudança de postura dos bartenders com relação ao shochu e ao awamori. Mais gente fala das bebidas e mais bares passaram a considerar oferecê-la em seus cardápios. Estamos no caminho certo e espero que a academia este ano seja um sucesso, como foi no ano passado”, diz Roberto.

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